
Pessoas que usam escudos imaginários, enquanto a falsidade está estampada em seus rostos.
Seja como for, melhor não pensar muito e deixar a vida caminhar.
Depois de longas horas trafegando, veio-me algum sentido.
Naquelas prateleiras estavam todos os bálsamos possíveis para minha cura.
Poderia ter escolhido a dedo qualquer amor já sonhado, ou mesmo uma daquelas histórias cheia de contos. Mas, já estava decidida, levaria “As Horas”.
Sempre que me entrego nessas viagens, procuro observar cada sentido. Mergulho na beleza de cada novo lugar, esbarrando em cada canto com vida, de tão interressante que é cada descoberta.
...E agora estava literalmente ansiosa para conhecer alguém especial. Minha única intenção era dar continuação a uma conversa, e fui pega de surpresa. Havia mais sensibilidade da qual esperada.
Foi espantoso descobrir que constantemente perdemos a direção. Abandonamos o nosso destino, e cria-se um tumulto na vida humana!
De repente, enxerguei-me no mesmo olhar perdido de Virginia Woolf naquela estação.
Diante de minhas dores, resolvi que não deveria continuar.
Saí para caminhar em volta de minha embriagues rotineira. Andei pelas ruas procurando um lugar para não ter esconder minha tristeza, e não o encontrei. Da janela do meu carro era possível notar a mundo acontecendo. No rádio uma música que falava de um lugar mais calmo, e eu queria chegar até lá para sentar na areia e pensar. Sentia dentro de mim um peso muito grande.
A cena voltou em minha mente. Virginia foi impedida pelo amor de continuar na sua escolha naquele momento. Sempre em nome do amor. Amor que faz renuncia, mas que de alguma maneira nos motiva e nos leva a pensar que vale viver.
Quisera ser salva a mesma maneira.
Queria encontrar razões para minha renuncia, para não mais ter que encarar a loucura como parte da minha lucidez. Porque às vezes parece que não há significado algum, além de sentir que perco tempo...
Andei mais algumas horas sem destino encolhida na minha vontade de sonhar. Tinha que voltar, mas esperei o trem da inspiração me levar de volta para casa.
Voltei e terminei de assistir o filme, encontrando certo conforto. Sempre adorei filme de época e boa parte se passa em 1941. É como invadir o passado e saber o que aconteceu. Um filme emocionante, com linda fotografia. Consegui parar a vida por alguns instantes e desejar não ser mais condicionada e viver apenas de aparência. Há sempre um algo a mais querendo viver dentro de nós. Só que a CORAGEM DE MUDAR e o CONFORMISMO acabam disputando entre si.
... Enquanto isso, eu continuo encarando As Horas... É isso que todos estão fazendo!